" Porque ele sempre volta. E meu coração fica calmo. "
" Carregava a ideia de que o amor tornava as pessoas melhores, mas olhava pra dentro de mim e não me reconhecia. Havia me tornado uma pessoa totalmente diferente daquela que eu era antes de te conhecer. De certa forma, essas mudanças não me acrescentaram nada, e sim anularam o que de bom eu carregava dentro de mim. Não digo que te amar tenha sido um erro, o meu erro foi abandonar a pessoa que eu era tentando ser a que você queria. Achava que seu coração fosse meu, assim como o meu ainda é seu. "
" Nos dias mais sombrios, o Senhor coloca as melhores pessoas na sua vida. "
" Se foi amor, ainda é. "
" Versifica.
Vê se fica. "
" Ainda me lembro do dia em que dissemos: seremos felizes até que a poesia nos repare. Primeiro, você riu, eu gargalhei e nós casamos. Depois, eu li, você ouviu e, nus, transamos. Por fim, eu lembrei, você se esqueceu e nós cansamos. Hoje, ainda que me falte você, nunca me faltará poesia. Um poema é o próprio abandono descrito em versos, diversas vezes. É o poeta em estado onírico implorando em rimas, alexandrinos, decassílabos decadentes: “Volta para mim, palavra bonita. Volta!”. Seu mundo sempre foi confuso, uma mistura moderna de Garcia Márquez com qualquer pintura de Velásquez. Você só parece amar quem pisoteia nos seus sonhos, quem tapa os seus sorrisos com lágrimas, quem lhe abandona sem roupa, sem mundo, sem beijo. Veja só: As Meninas na corte do rei parecem cortejar o seu coração. Corta a cena: seu azar foi ter vivido Cem anos de Solidão em uma única relação. Talvez por isso nada lhe emocione mais: nem o piano que toca algumas notas de jazz, nem o coração em guerra que, no peito, hasteia uma bandeira de paz. Talvez por isso nada lhe interesse mais: nem as cartas nem as caras de amor. Todas elas são ridículas, já dizia o poeta, todas elas são partículas de sentimento que não insiste mais… Contudo ainda me pego algumas vezes tateando uma sombra incompreensível que fala e que fuma e que finge estar viva. Só finge! Uma sombra precisa de luz para ser viva. Um amor precisa de vida para reluzir. Eu preciso de ambos para existir. "
" Mas por que Alasca?”, perguntei. Ela sorriu com o canto direito da boca. “Bem, depois eu descobri o que significava. É uma palavra de origem aleúte, Alyeska. Significa ‘aquilo em que o mar bate’, e eu adorei. Era grande, como eu queria ser. "
" Meu abajur é a luz da lua, que me encara janela adentro. Que me olha enquanto fecho o livro e os olhos para sonhar. A lua, que me vê fazendo meus agradecimentos e pedidos-de-socorro diários aos céus. Às vezes, até penso que me ouve e busca me trazer consolo. Lua, que tão distante, parece tão minha, vista da escuridão do quarto. Que lá do alto me vê tentando pregar os olhos, sem sucesso algum, quando a ferida no peito anda aberta. Lua cheia que, nos últimos dias, tem observado meus choros sobre o travesseiro. É engraçado pensar que, enquanto choramos por alguém sob a luz da lua, a mesma ilumina aquele por quem choramos, do outro lado da rua. Do estado. Do mundo. Vasto mundo. Tão pequeno e, ao mesmo tempo, tão gigante. Engraçado pensar que, quando eu estiver bem distante, a lua poderá te olhar pela janela e eu não. Poderá me olhar pela fresta da cortina e você não. Como pode a mesma luz clarear a pele de ambos, tão distantes? Ela nos vê. Nós não nos vemos. Quem sabe, quando eu estiver bem longe, a gente olha a lua ao mesmo tempo e, por um segundo, nossos olhos de encontram. Engraçado pensar que, mesmo longe, estaremos sob o mesmo céu, mesmo astro e mesmo chão e não poderemos sequer encostar as mãos. Mundo, mundo, vasto mundo. "
" Se tem uma coisa que aprendi é isso: Todos nós queremos que tudo fique bem. Nem mesmo desejamos que as coisas sejam fantásticas, maravilhosas ou extraordinárias. Satisfeitos, aceitamos o bem, porque, na maior parte do tempo, bem é o suficiente. "
" Como se dá a alguém um pedaço do céu? "